O SINSA promoveu o 7º Colóquio SINSA — Sociedades de Advogados em Transformação: IA e Gestão no dia 21 de agosto, no Auditório da FecomercioSP, que reuniu advogados, magistrados, professores e dirigentes de entidades da advocacia para discutir os temas que moldam o presente e o futuro da profissão. Durante o encontro, o presidente do SINSA, Antônio Carlos Aguiar, abriu os trabalhos e destacou a importância de a advocacia pautar as transformações do setor — em vez de apenas reagir a elas.
Homenagem: Medalha Professor Amauri Mascaro Nascimento
O início do evento foi marcado por uma justa homenagem: o escritório Mesquita Barros recebeu a Medalha Professor Amauri Mascaro Nascimento, concedida em razão de sua longa e pioneira atuação dedicada à legislação do trabalho, iniciada em 1938. A honraria leva o nome do magistrado, advogado, professor universitário e jurista que atuou como Diretor Jurídico do SINSA entre 1991 e 2014, e tem o objetivo de enaltecer e reconhecer o trabalho de entidades e profissionais que, em sua trajetória, prestaram relevantes serviços à comunidade jurídica, às sociedades de advogados e à sociedade em geral.
A programação combinou tecnologia, saúde do trabalho, ética e gestão, em um recorte que mostrou a advocacia como profissão plural, que vai muito além da técnica jurídica.
A inteligência artificial como ferramenta, não como substituta
A IA foi o fio condutor do colóquio. Em diferentes painéis, os palestrantes foram unânimes em um ponto: a tecnologia apoia o trabalho do advogado, mas não o substitui.
Sobre esse tema, os debates reforçaram três compromissos práticos:
- Supervisão humana obrigatória — todo conteúdo gerado por IA precisa passar pela revisão do advogado, que assume a responsabilidade final pelo trabalho entregue.
- Governança e treinamento — a adoção de IA nos escritórios exige procedimentos definidos, diretrizes éticas e capacitação das equipes.
- Alerta contra o "sedentarismo cognitivo" — a dependência excessiva da tecnologia pode enfraquecer o raciocínio crítico do profissional, e isso foi apontado como um risco real a ser combatido.
O 7º Colóquio também discutiu o impacto da IA no modelo de negócio dos escritórios. Com a eficiência trazida pela tecnologia, a cobrança por hora tende a dar lugar à precificação por valor entregue — uma mudança que exige novas competências de gestão e posicionamento.
IA no Judiciário: o caso do sistema Galileo
Um dos destaques foi a apresentação do desembargador federal, Dr. Ricardo Verta Luduvice, sobre a aplicação da IA no Poder Judiciário. Ele apresentou o sistema Galileo, utilizado nos tribunais paulistas, que atua em três frentes: geração de minutas, montagem de pautas inteligentes de audiências e estimativa da complexidade dos processos. A mensagem central: a IA já é realidade concreta no dia a dia da Justiça, e a advocacia precisa conhecê-la para atuar com segurança nesse novo ambiente.
Saúde do trabalho e saúde mental em foco
O painel sobre direito do trabalho colocou em pauta o burnout, a saúde mental e o assédio no ambiente de trabalho. Os expositores foram diretos: a prevenção precisa sair do discurso e virar política real nas empresas, com responsabilização dos empregadores e ambientes de trabalho que cuidem das pessoas.
Ética, redes sociais e imagem profissional
O uso das redes sociais por advogados foi debatido à luz do Tribunal de Ética de São Paulo. O recado: visibilidade é importante, mas exige postura e limites claros. Em um mercado cada vez mais competitivo, o posicionamento e a construção da imagem profissional foram apontados como diferenciais — desde que ancorados na ética.
Trabalho híbrido e gestão dos escritórios
A transformação das formas de trabalho também ganhou espaço, com discussão sobre o modelo híbrido/remoto, a importância da documentação organizacional e a necessidade de repensar a gestão dos escritórios para o novo cenário.
Um evento à altura do momento
O 7º Colóquio SINSA cumpriu seu papel: trouxe o debate de fronteira para a advocacia, com equilíbrio entre o entusiasmo pela tecnologia e a valorização do que é insubstituível na profissão — o julgamento humano, a ética e a relação com o cliente. A mensagem que ficou é clara: quem adotar a IA com governança, ética e capacitação sairá na frente; quem ignorar o tema ficará para trás.
Confira as fotos do evento https://sinsa.org.br/album/7o-coloquio-sinsa.html
